O Brasil com as suas decisões
Situação do país · 2025
Ponto mais fraco: contas públicas (36). Mais forte: bolso da população (60).
A nota de 2025 é só a régua de partida, não uma avaliação de nenhum governo.
Para que lado as suas decisões puxam
menos Estado na economia menos Estado na vida pessoal
Sem tendência: fica no Brasil de 2025
Você ainda não mexeu em gastos, impostos nem vida pessoal: o ponto fica no Brasil de 2025.
Como ler o diagrama
O Diagrama de Nolan organiza as ideias políticas em duas perguntas: quanto o Estado deve mexer na economia e quanto deve mexer na vida pessoal de cada um. Nas pontas ficam: Esquerda (mais Estado na economia, menos na vida pessoal), Direita (menos Estado na economia, mais na vida pessoal), Libertário (menos Estado nas duas) e Estatista (mais Estado nas duas). Esses nomes vêm do diagrama original, criado nos Estados Unidos há mais de 50 anos. No Brasil, quem se diz de esquerda ou de direita nem sempre cai na ponta com esse nome.
Na economia, contam os gastos e os impostos, pelo tamanho da mudança e antes de as pessoas reagirem. Selic, dólar, petróleo e custos dos políticos não contam. Na vida pessoal, contam as decisões da aba "Vida pessoal", e cada uma vale o mesmo. Algumas pautas só têm proposta num sentido, por isso há mais opções com menos Estado do que com mais. O diagrama não olha quem paga os impostos nem quem recebe os gastos.
O meio é o Brasil de 2025, não o "centro político". O diagrama é criticado por tratar "menos Estado" como "mais liberdade"; por isso aqui falamos em mais ou menos Estado. Nenhum lado é certo ou errado: o diagrama só mostra a direção.
- Inflação
- 4,3%
- igual a 2025
- Desemprego
- 5,6%
- igual a 2025
- Crescimento da economia
- +2,3%
- igual a 2025
- Selic (juros básicos)
- 15%
- igual a 2025
- Dólar
- R$ 5,59
- igual a 2025
- Dívida em 2025
- 79% do PIB
- o mesmo que sem mudanças
- Era 78,7% em 2025. Sem nenhuma mudança, chegaria a 79% do PIB em 2025.
Impostos e a Curva de Laffer
Quanto o governo arrecada conforme a carga de impostos. Com imposto zero, não arrecada nada. Com imposto altíssimo, as pessoas trabalham e vendem menos ou escondem, e ele também arrecada pouco. No meio existe um pico.
Sua carga de impostos 32,4% do PIB 0,0 ponto sobre 2025
Arrecadação na curva R$ 4,13 trilhões 0 bilhões por ano sobre 2025
Hipótese em uso: as pessoas reagem mais ou menos aos impostos (mude em Impostos). Nessa hipótese, o pico fica em 53% do PIB, e a sua carga está antes do pico: subir impostos ainda aumenta a arrecadação, mas cada vez menos. Economistas discordam sobre onde fica o pico.
No seu bolso
- Compra do mês · cesta básica R$ 850 igual a 2025 18% é imposto
- Pão francês · 1 kg R$ 18,00 igual a 2025 17% é imposto
- Gasolina · 1 litro R$ 6,30 igual a 2025 35% é imposto
- Carro popular 0 km · modelo de entrada R$ 75.000 igual a 2025 30% é imposto
- Celular · intermediário R$ 1.800 igual a 2025 40% é imposto
- Notebook · acima de R$ 3 mil R$ 3.500 igual a 2025 34% é imposto
Quanto custam coisas do dia a dia com as suas decisões, e quanto de cada preço é imposto.
- Cupom · cesta básica
Compra do mês
- Em 2025
- R$ 850
- Com suas decisões
- R$ 850
Valor aproximado dos impostos: R$ 153 (18% do preço)
- Cupom · 1 kg
Pão francês
- Em 2025
- R$ 18,00
- Com suas decisões
- R$ 18,00
Valor aproximado dos impostos: R$ 3,06 (17% do preço)
- Cupom · 1 litro
Gasolina
- Em 2025
- R$ 6,30
- Com suas decisões
- R$ 6,30
Valor aproximado dos impostos: R$ 2,20 (35% do preço)
- Cupom · modelo de entrada
Carro popular 0 km
- Em 2025
- R$ 75.000
- Com suas decisões
- R$ 75.000
Valor aproximado dos impostos: R$ 22.500 (30% do preço)
- Cupom · intermediário
Celular
- Em 2025
- R$ 1.800
- Com suas decisões
- R$ 1.800
Valor aproximado dos impostos: R$ 716 (40% do preço)
- Cupom · acima de R$ 3 mil
Notebook
- Em 2025
- R$ 3.500
- Com suas decisões
- R$ 3.500
Valor aproximado dos impostos: R$ 1.176 (34% do preço)
- Por pessoa · por ano
Imposto pago por brasileiro
- Em 2025
- R$ 19.343
- Com suas decisões
- R$ 19.343
- Juros da dívida, por brasileiro
- R$ 4.722
Média de toda a população, crianças incluídas. Em 2025, 1 em cada 3 reais produzidos no país virou imposto (32,4% do PIB). Boa parte dos juros foi paga com dinheiro emprestado.
Preços de referência de 2025. A linha "valor aproximado dos impostos" imita a que a lei manda pôr na nota fiscal (Lei 12.741/2012).
Para onde vai cada R$ 100
O governo gasta R$ 4,1 trilhões por ano. Cada quadradinho é R$ 1 de cada R$ 100.
- Máquina do Estado R$ 9 de cada R$ 100 R$ 383 bilhões · Demais áreas, Defesa (Forças Armadas), Justiça federal
- Juros da dívida R$ 25 de cada R$ 100 R$ 1,0 trilhão · Juros da dívida (setor público)
- Repasses e sentenças R$ 14 de cada R$ 100 R$ 581 bilhões · Repasses a estados e municípios, Dívidas que a Justiça mandou pagar
- Serviços públicos R$ 15 de cada R$ 100 R$ 596 bilhões · Saúde (SUS), Educação, Segurança pública
- Investimento R$ 2 de cada R$ 100 R$ 67,9 bilhões · Ciência e tecnologia, Infraestrutura
- Proteção social R$ 35 de cada R$ 100 R$ 1,4 trilhão · Aposentadorias e pensões do INSS, Bolsa Família, BPC (idosos e pessoas com deficiência)
De onde vem o dinheiro
De cada R$ 100 que o governo usa, R$ 80 vêm de impostos e R$ 20 são emprestados.
- Impostos sobre consumo R$ 32 de cada R$ 100 R$ 1,7 trilhão por ano
- Imposto de renda e sobre lucro R$ 23 de cada R$ 100 R$ 1,2 trilhão por ano
- INSS sobre salários R$ 13 de cada R$ 100 R$ 688 bilhões por ano
- Imposto de importação R$ 2 de cada R$ 100 R$ 92,1 bilhões por ano
- Patrimônio e outros R$ 10 de cada R$ 100 R$ 517 bilhões por ano
- Dinheiro emprestado (dívida nova) R$ 20 de cada R$ 100 R$ 1,1 trilhão por ano
O dinheiro emprestado vira dívida. Quase tudo serve para pagar os juros da dívida que já existe.
Por que as duas contas não fecham?
Parte dos impostos (ICMS, ISS, IPVA, IPTU) paga escolas, hospitais e polícia de estados e municípios, que não aparecem em "Para onde vai". E as contas juntam esferas diferentes: os gastos são do governo federal, a segurança é do país todo, e os juros e impostos são do setor público inteiro. É o retrato das grandes contas, não um orçamento somado ao centavo.
Dívida pública
Tudo o que o governo deve, comparado com tudo o que o país produz num ano (o PIB, Produto Interno Bruto). 79% do PIB é como dever uns 9 meses e meio de tudo o que o país produz.
Em 2030, fim do mandato 91% do PIB
Em 2075, mantidas as decisões mais de 300% do PIB
| Ano | Com as suas decisões | Se nada mudasse |
|---|---|---|
| 2025 | 79% do PIB | 79% do PIB |
| 2030 | 91% do PIB | 91% do PIB |
| 2040 | 125% do PIB | 125% do PIB |
| 2050 | 168% do PIB | 168% do PIB |
| 2060 | 224% do PIB | 224% do PIB |
| 2075 | mais de 300% do PIB | mais de 300% do PIB |
No fim do mandato, em 2030, a dívida chega a 91,2% do PIB. Mantidas as suas decisões, em 2075 ela sobe para mais de 300% do PIB.
Juros altos e déficit fazem a dívida crescer; crescimento da economia e inflação fazem ela encolher em relação ao PIB. Mas inflação alta tira poder de compra de quem vive de salário e de quem emprestou ao governo.
Em 2071 a dívida passaria de 300% do PIB. O modelo não sabe o que acontece com dívidas assim: na vida real, os juros disparariam e o país entraria em crise muito antes.
Por que a dívida cresce sozinha
Depois de 2030, os juros da dívida ficam 5% acima da inflação e a economia cresce cerca de 2,3% ao ano. Juros maiores que o crescimento fazem a dívida crescer sozinha.
Para ela parar de crescer, o governo precisa de uma sobra: arrecadar mais do que gasta, sem contar os juros. Com a dívida de 2030, essa sobra seria de:
cerca de 2,4% do PIB por ano, uns R$ 307 bilhões
Em dinheiro de 2025. Estimativa nossa.
Você está vendo 2025 · ponto de partida
Você está vendo o ponto de partida, antes das suas decisões. 2025 é o último ano com números fechados; o mandato vai de 2027 a 2030 (a faixa clara na trilha), e 2026 ainda é do mandato anterior.